quarta-feira, 28 de outubro de 2009

wristcutters

Eu lembro de estar muito ocupada para te perceber naquela noite. Meu amor, nós nunca fomos juntos ao chão. Eu já cai e te vi caindo, nos suportamos juntos. E só quando te observei daqui de cima pude sentir as palavras chegando.

Os olhos marejavam a cada passo seu, quanto menor a distância se tornava, mais rápido as lembranças percorriam minha mente. Tenha certeza do que você ouvirá e não aja com descaso, pois eu nunca minto. O rádio toca, eu não durmo, e sinto que há familiaridade entre nossos gestos.

A cabeça roda, ouço você respirar. Cada vez mais firme, cada vez mais firme. A gaita toca ao fundo enquanto teu cheiro chega antes de suas mãos me tocarem. É sua vez de agir. Desisto das palavras, dos gestos e da minha mente. Me faça esquecer do agora relembrando o que já se foi.

"To die by your side
Such a heavenly way to die"

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

a desordem

Só me diga quando,

e lá eu estarei. O que for preciso, do modo como for necessário. Te encontrarei quando o sol aparecer e suas mãos vagarem em minha procura. Ouvirei seu suspiro em meio ao caos e na janela em que você me espera te verei acenando após longos dias e noites sem te ter. Todas minhas lembranças então serão novamente realizadas, o estoque se acaba a cada minuto que passo fora de seu abraço e tudo que me conforta é o calor do pensamento. E quando sei que você faz o mesmo e me espera e me quer e me vê, mesmo longe, logo perto, me acalmo com a certeza de ...

Nunca me diga nunca.

Me pinte como sua rainha e na batalha que você trava todos os dias me tenha como recompensa. Serei o prêmio de suas vitórias, sua guia nas horas em que você pensar em desistir. E não diga que nunca seremos o que fomos antigamente. Não me deixe saber que você pensa do mesmo modo como eu, pois só assim perco as esperanças. Caia comigo, novamente, e se coloque em pé e me faça assim. Me veja de baixo e tenha a impressão de que tudo esta bem. Cubra seus olhos e os meus e nos faça acreditar no futuro. Não me deixe ir.



segunda-feira, 28 de setembro de 2009

achados e perdidos

Dos teus cabelos claros queria o mesmo brilho no olhar
O olhar cor de fogo que brilhava em seu peito e se apagou, se tornou azul
O mesmo azul do céu que ousei tocar e me perdi
Que me perdi tentando te achar

Encontrei a porta fechada e as cores me confundiam
Em qual entrar, aonde sairia?
Só as flores me remetiam a você
Mas sempre preferiu se esconder na escuridão

Roubou a estrela que agora habita seu peito
Minha luz caída do céu
Levou a contigo por uma vida
Sem que eu a reclamasse, sabendo que eu a perdia

No fim, me deu a mão
Me colocou em seu pedestal
Me trouxe a estrela, o brilho, o azul e o fogo de volta
Mas nada mais servia, só o tempo me tinha

...era tarde.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009


eu quis ter você
te contar o meu engano
quanto te amei errando o amor
daqueles dias e dos momentos
que juntos fizemos valer a pena
o passar das horas e minutos
e as noites transformamos
em sonhos sempre
acordados
euevocê

08/05/08

domingo, 20 de setembro de 2009

mimeu

Caminho nas horas em busca do momento que perdi em algum lugar do meu passado. Aquele pedaço de mim mesma que costumava ser leve e tranqüilo, todo o tempo. Que se importava com tudo e mesmo assim arranjava tempo para sorrir, o tempo todo. Que não precisava ser acalmada pela voz interior dizendo que está tudo bem. Procuro a solidão perfeita, aquela que eu costumava compartilhar comigo mesma naquele mundo só meu em que me enterrava. O casúlo se rompeu e em certo momento me perdi no mundo real. Posso voltar?

A preocupação é menor, ouço sensatez na minha cabeça, receio o que já foi e isso me faz forte. E em meio à confusão, me ouço dizendo algo óbvio, mas que eu relutei tanto tempo a me escutar. Compreendo a situação e abro minha mente para sonhar. Que a ficção não vire realidade, deixe-me vivê-la longe daqui.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

notas

caminho a passos largos enquanto a música toca e faz da rua um deserto. o foco dos meus olhos eram seus e junto a você e a nossa realidade minha visão também se embaçou. o silêncio do vazio toma meu espírito, enquanto a música parece ecoar em meu peito e iluminar o que ainda há de vida aqui fora. a luz reflete e dá cor e tom aos fantasmas.

o vale se estende a minha frente e nos próximos minutos os pensamentos irão se perder enquanto a mente arranja argumentos para me dissuadir. daquilo que penso, que acho, que lembro, que se foi e será, que teria sido e não foi. minha visão escurece um pouco mais. não há mais reflexos.

o som palpitante segue o ritmo da música. logo mais a seleção se acalma, o corpo relaxa e o toque será diferente. rumo ao fim, enxergo o verde lá em baixo. do caos que vim, não há retorno.

o som me abate.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

através

Você terá o que pede, serei sua rainha coroada entre lençóis e travesseiros. Serei tua sereia entre mares e reinos submersos, a alma que ultrapassa as décadas e o fantasma que te acompanhará. Serei a fada dos teus sonhos e a besta em pesadelos. Navegarei ao seu lado por tormentas e atravessarei fronteiras munida da força que você me dá. Cruzarei desertos em tua busca, e travando lutas armadas te encontrarei clamando pela minha presença. Enquanto a cruz reluz em seu peito, minha imagem se posiciona em sua mente.

No vagão do trem você me observará caminhar e lá já saberá: o restante foi traçado, só me resta o início. Entre épocas vamos nos encontrar. Seja no campo entre flores, no palco ao som da música ou atravessando a avenida num farol aberto, nossos olhos vão se chamar e o tempo predirá os segundos que faltarão para o beijo.